Começa, no Fórum de Santana, julgamento do casal Nardoni
Wagner Gomes, Marcelle Ribeiro, O Globo
TV Globo, SPTV, Bom Dia S.Paulo

SÃO PAULO - Quatro mulheres e três homens compõem o júri que vai decidir o destino de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte de Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008. O sorteio dos jurados foi realizado na abertura do julgamento, que começou com mais de uma hora de atraso, às 14h17m. Por volta das 19h, os jurados terminaram a leitura do processo e as testemunhas começam a ser ouvidas. No total, são 16 testemunhas. A mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, é a primeira testemunha da acusação a depor. Ela começou a falar às 19h30m e vai dizer que Isabella e a madrasta tinham uma relação tumultuada. Para a mãe da menina, a madrasta tinha
ciumes da criança.
A leitura do processo durou 2 horas, uma a mais do que o previsto. Pouco depois de finalizada a leitura, chegaram ao Fórum de Santana as maquetes do prédio e do apartamento de onde Isabella foi jogada que serão utilizadas pela acusação para provar a culpa dos réus. O casal responde por homicídio triplamente qualificado e também por fraude processual.
Houve duas recusas de jurados. Uma mulher foi recusada pela defesa e outra pelo Ministério Público. Dos 7 jurados, 5 participam pela primeira vez de um julgamento. Os advogados de defesa do casal pediram o adiamento do júri e que fossem feitas novas diligências no apartamento de onde Isabella foi jogada, inclusive com a presença dos jurados. Mas o juiz Maurício Fossen, que preside o 2º Tribunal de Júri, do Fórum de Santana, em São Paulo, negou o pedido.
Após a escolha do júri, foi feita uma parada de meia hora para que os jurados, que estavam em jejum, pudessem se alimentar. A sessão recomeçou por volta de 17h, com a leitura do resumo do processo. Dos 40 jurados convocados, 28 compareceram e participaram do sorteio. Os que não foram escolhidos foram dispensados.
Das 23 testemunhas convocadas, sete foram dispensadas. Da acusação foi dispensada a avó de Isabella, Rosa Cunha de Oliveira, mãe de Ana Carolina Oliveira. Da defesa do casal foram dispensados: Geralda Afonso fernades, vizinha que teria ouvido uma criança gritar "Para, pai" no dia do crime; Paulo Vasan Geu, escrivão; Luiz Alberto Spínola de Castro, investigador; Cláudio Colomino Mercado, agente policial; Adriana Mendes da Costa Porusseli, escrivã e Walmir Deodoro Mendes, investigador. Os advogados não explicaram os motivos das dispensas.
Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni estão no banco dos réus, sentados lado a lado. Ela veste jeans, blusa bege e sapato baixo. Alexandre está de calça jeans, blusa azul e branca e tênis preto. Eles chegaram ao fórum vestindo roupas do sistema penitenciário de São Paulo, camiseta branca e calça amarela, mas foram autorizados a trocar de roupa. Eles chegaram algemados. A madrasta de Isabella chorou na chegada ao fórum.
A previsão é que o julgamento dure de quatro a cinco dias.